Sequência Didática – Complexo Arqueológico da Bebidinha Educação Patrimonial · Ensino de História História Local...
História Local e Patrimônio Arqueológico:
A Educação Patrimonial no Complexo da Bebidinha como Caminho para a Compreensão Identitária
Sequência didática desenvolvida para os Anos Finais do Ensino Fundamental ou 1.º ano do Ensino Médio, articulando memória, identidade e patrimônio cultural.
Apresentação
Esta sequência didática foi elaborada com o objetivo de articular o ensino de História à Educação Patrimonial, considerando o patrimônio cultural como elemento formador das identidades individuais e coletivas dos estudantes. O ponto de partida está no reconhecimento dos alunos como sujeitos sociais, históricos e partícipes do processo de atribuição de sentidos aos bens patrimoniais de suas comunidades.
A abordagem parte da premissa de que o ensino de História deve promover a reflexão crítica sobre o passado e suas conexões com o presente, proporcionando aos estudantes ferramentas para compreenderem seu lugar no mundo. O patrimônio cultural — entendido como produto de seleções, exclusões e atribuições simbólicas — torna-se um recurso pedagógico privilegiado para desenvolver noções de pertencimento, memória, identidade e cidadania.
A proposta valoriza os referenciais afetivos e subjetivos dos alunos por meio de práticas que estimulem a leitura de mundo a partir de suas próprias vivências: rodas de conversa, trilhas temáticas, produção de textos, análises de imagens rupestres e investigação de objetos significativos.
A sequência foi planejada para ser aplicada nos Anos Finais do Ensino Fundamental ou no 1.º ano do Ensino Médio, podendo ser adaptada conforme o perfil da turma. Como eixo articulador, propõe-se a exploração do blog educativo sobre o Complexo Arqueológico da Bebidinha — Sertão Rupestre —, que reúne textos, imagens virtuais, mapas e dados sobre a ocupação da região ao longo do tempo.
A proposta contempla as quatro etapas da metodologia da Educação Patrimonial: observação, registro, exploração e apropriação, conforme os referenciais do Guia Básico de Educação Patrimonial (HORTA et al., 1999).
Objetivos
Desenvolver a compreensão dos conceitos de patrimônio cultural, memória e identidade por meio da Educação Patrimonial, articulando-os ao ensino de História com base no Complexo Arqueológico da Bebidinha, promovendo a formação da consciência histórica e o reconhecimento dos estudantes como sujeitos sociais e culturais.
Objetivos Específicos
- Estimular a investigação histórica a partir de fontes materiais e digitais.
- Desenvolver a consciência histórica por meio da reflexão sobre o tempo, identidade e pertencimento.
- Promover a leitura crítica de diferentes linguagens (imagens, textos, mapas, arte rupestre).
- Valorizar os bens culturais como expressões de memória e identidade coletiva.
Metodologia: A proposta será desenvolvida de forma participativa e investigativa, com atividades interdisciplinares centradas no uso do blog educativo. Baseia-se nos princípios da Educação Patrimonial, articulando observação, registro, exploração e apropriação, conforme proposto por Horta (1999). São cinco aulas de 50 a 60 minutos cada, condizentes com o tempo vivenciado nas escolas municipais e estaduais do Piauí.
Habilidades da BNCC
| Etapa | Código | Habilidade |
|---|---|---|
| Ensino Fundamental | EF08HI01 | Identificar os processos de ocupação dos diferentes territórios pelos povos originários nas Américas e suas formas de organização social. |
| Ensino Fundamental | EF08HI02 | Analisar as dinâmicas populacionais e os deslocamentos espaciais ao longo do tempo, reconhecendo permanências e transformações. |
| Ensino Fundamental | EF08HI06 | Utilizar diferentes fontes de informação sobre o passado — documentos, imagens, objetos e relatos orais — para construir narrativas históricas. |
| Ensino Médio | EM13CHS104 | Analisar as relações entre memória, identidade e patrimônio nas manifestações culturais e históricas de diferentes grupos sociais. |
| Ensino Médio | EM13CHS105 | Avaliar a produção e a circulação de diferentes narrativas sobre os grupos sociais e seus territórios. |
Proposta das Aulas
Roteiro detalhado para as cinco aulas da sequência didática
Vivemos rodeados de marcas da presença humana no tempo: objetos, construções, tradições, saberes, crenças, festas, práticas cotidianas. Mas o que faz com que certos elementos sejam considerados patrimônio cultural, enquanto outros são esquecidos?
Quem escolhe o que deve ser preservado? Como as memórias do nosso grupo social são valorizadas ou silenciadas?
- Compreender o conceito de patrimônio cultural, em suas dimensões material e imaterial, reconhecendo sua importância para a construção da memória coletiva.
- Identificar e diferenciar patrimônio material e imaterial, relacionando-os ao cotidiano dos estudantes.
- Refletir sobre a diversidade de manifestações culturais presentes na comunidade e nas experiências pessoais.
- Estimular o compartilhamento de memórias, saberes e tradições familiares.
O professor deve atuar como mediador de sentidos, possibilitando o reconhecimento e a ressignificação das experiências individuais e coletivas. Esta etapa inicial é essencial para que os estudantes compreendam os conceitos e os relacionem com suas próprias vivências, afetos e referências socioculturais.
A utilização de recursos visuais e sonoros é fortemente recomendada: fotografias, vídeos curtos, fragmentos de reportagens, imagens de bens tombados pelo IPHAN, registros de festas populares, músicas tradicionais e poemas regionais contribuem para concretizar os conceitos de patrimônio material e imaterial.
Com base no que estudamos sobre Patrimônio Cultural, traga para a escola um objeto que represente um bem significativo em sua trajetória de vida e apresente-o aos colegas com base nas questões abaixo. A apresentação e os pontos elencados devem ser entregues por escrito no dia da apresentação:
- a) Descrição e definição: Como o objeto é? Quais suas características, tamanho, cores, formato?
- b) Natureza do bem: É material ou imaterial?
- c) Período e usos no passado: Quando surgiu e quais suas utilidades ao longo do tempo?
- d) Utilidade no presente: Em qual ação este bem é usado hoje?
- e) Significado pessoal: Quais os significados pessoais? Qual a sua importância e trajetória? Como fala de mim?
- f) Relação com espaço e tempo: Como o contexto da sociedade explica a existência do bem?
- g) Frase conclusiva: "Por que isso é um patrimônio para mim?"
Recomendações: o objeto não pode incitar violência, ter cunho obsceno ou remeter a preconceito. Tempo de apresentação: 2,5 a 5 minutos.
- Participação na roda de conversa e compartilhamento de memórias.
- Entrega escrita e apresentação oral da Oficina de Objetos e Significados.
- Contribuição para a exposição no mural da sala.
Quais os símbolos, lugares e práticas culturais que configuram referências identitárias para os habitantes de Buriti dos Montes? O que foi esquecido ou silenciado ao longo do tempo?
Inspirando-se nas discussões do e-book da professora Paula Luana (UESPI), o professor pode introduzir o tema evidenciando que o patrimônio cultural é uma construção social e histórica, sujeita a escolhas, esquecimentos e disputas de significado.
- Identificar os processos de construção, valorização e esquecimento das referências culturais em Buriti dos Montes-PI.
- Compreender a noção de patrimônio cultural como construção histórica e social.
- Discutir os processos de silenciamento, abandono ou invisibilização de bens culturais.
- Estabelecer relações entre as experiências locais e os conceitos de memória e identidade.
- Estimular a produção crítica e autoral dos alunos a partir da realidade em que vivem.
O professor inicia com uma pergunta disparadora escrita no quadro:
"O que pode ser considerado patrimônio cultural em nossa cidade? O que foi esquecido ou silenciado ao longo do tempo?"
O professor apresenta trechos selecionados do e-book "História e memória de Buriti dos Montes: possibilidades didáticas para o ensino e a aprendizagem", da professora Paula Luana (disponível em: editora.uespi.br), destacando a relação afetiva entre a população e seus espaços de memória e os processos de valorização e esquecimento de práticas culturais ao longo do tempo.
Escolha um símbolo cultural importante da sua comunidade (uma festa, uma pessoa, um objeto, uma tradição, um lugar) e escreva ou grave um breve relato explicando por que ele é significativo. Esse elemento ainda é valorizado? Ou está em processo de esquecimento? Por quê?
Formato: escrita, áudio, vídeo ou apresentação oral. Data a ser definida com a turma — de preferência como culminância da sequência didática.
- Clareza e pertinência na escolha do símbolo cultural.
- Capacidade de análise sobre valorização ou esquecimento do elemento escolhido.
- Participação nas discussões orais.
- Entrega da atividade com autonomia e criatividade.
- Utilizar o blog como recurso pedagógico para desenvolver leitura crítica de imagens e textos históricos.
- Compreender o patrimônio cultural como construção social e histórica.
- Estimular o contato com fontes históricas digitais.
- Reconhecer o patrimônio arqueológico como expressão da história indígena e local.
- Relacionar a arte rupestre à cultura material dos povos originários.
- Desenvolver habilidades de escrita reflexiva e produção colaborativa.
A aula deve iniciar com a apresentação do blog do Complexo Arqueológico da Bebidinha por meio de projetor multimídia ou no laboratório de informática. O professor introduz o blog como ferramenta educativa, destacando seu conteúdo voltado à história e à arqueologia da região de Buriti dos Montes-PI.
"O que você espera encontrar nesse blog?"
Em seguida, realiza-se a leitura coletiva de uma das postagens principais do blog — preferencialmente aquela que apresenta informações introdutórias sobre o sítio arqueológico.
"Por que devemos conhecer e preservar o Complexo Arqueológico da Bebidinha?"
As respostas podem ser organizadas em formato de lista no quadro, cartaz ou mural digital, servindo como base para atividades futuras.
O professor apresenta uma seleção de imagens de arte rupestre disponíveis no blog. Com as imagens projetadas ou acessadas individualmente, conduz uma discussão orientada:
Após a análise coletiva, o professor aprofunda a interpretação relacionando-a ao texto de Wellington Lage (disponível no blog), que trabalha com os princípios da Gestalt na leitura de imagens.
- Qual imagem da arte rupestre mais chamou sua atenção?
- O que você acredita que essa imagem representa?
- Que significado ela pode ter tido para os povos que a produziram?
- A partir da técnica da Gestalt, que elementos (formas, contrastes, padrões) ajudam a construir o sentido dessa imagem?
- Se você pudesse escolher um símbolo para representar sua geração, qual seria? Por quê?
Turmas com acesso digital podem transformar a atividade em um post simulado de rede social (Instagram ou Twitter), com a imagem escolhida e uma legenda reflexiva.
Esta aula foca no desenvolvimento da reflexão individual e coletiva a partir das aprendizagens construídas. Os estudantes escrevem comentários reflexivos e participam de uma atividade lúdica de revisão por meio de quiz.
Cada aluno escreve um comentário reflexivo orientado pelas questões:
- Qual a importância de preservar o sítio arqueológico da Bebidinha?
- O que essa história representa para você e sua comunidade?
- O que mais te impressionou nesse processo de aprendizagem?
Na sequência, os alunos são organizados em pequenos grupos para elaborar perguntas para um quiz interativo — usando Padlet, Kahoot ou formulários —, revisando os conteúdos de forma dinâmica, colaborativa e lúdica.
- Participação nas discussões e atividades propostas.
- Qualidade das reflexões nos comentários do blog.
- Capacidade de análise nas atividades com arte rupestre.
- Colaboração nas tarefas em grupo.
Culminância da Sequência Didática
Atividade Final de Produção
Como encerramento do trabalho com o blog do Complexo Arqueológico da Bebidinha, será proposta uma atividade de produção individual, em duplas ou em grupos — a critério do professor e da turma —, com foco na valorização do patrimônio cultural local.
Proposta: Cada estudante (ou grupo) escolhe um símbolo cultural importante de sua comunidade — uma festa tradicional, uma figura marcante, um objeto, uma prática, uma lenda ou um espaço significativo — e produz um relato explicando por que esse elemento é relevante para a identidade local.
O relato deve refletir sobre:
- O que torna esse símbolo importante?
- Ele ainda é valorizado atualmente? Se não, por que está sendo esquecido?
- Como você se relaciona com esse elemento do patrimônio?
Formatos possíveis: escrito, gravado em áudio ou vídeo, ou apresentado oralmente — conforme os recursos disponíveis e as possibilidades da turma.
Apresentação: As produções integrarão uma mostra cultural na escola, um mural de exposições, uma roda de escuta ou um espaço virtual de partilha (como o próprio blog do projeto ou o Instagram da escola).
Nenhum comentário